Meu papo mágico com Sérgio Martins: A realidade sem filtro do cenário musical
Muitos de vocês conhecem o Sérgio Martins como aquele crítico sério, o homem dos vereditos precisos e das análises cirúrgicas na grande imprensa. Mas eu conheço o Sérgio pessoalmente e posso afirmar: ele não tem nada dessa braveza toda. O que ele tem, na verdade, é um conhecimento de mercado gigantesco e um know-how absurdo sobre o entretenimento musical.
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| Participação de Sergio Martins do Roda Viva, apresentado por Vera Magalhães | Divulgação |
E por isso fui atrás do ouvido clínico dele para entender o que realmente faz o coração desse especialista bater mais forte e o que funciona (ou não) para quem está no corre independente. Confira:
Sérgio Martins: Para mim, tudo começa na melodia. E tem uma coisa básica: eu odeio vocalista desafinado. Se souber cantar de verdade, já me ganha por aí. Gosto pessoal varia, eu tenho uma queda por soul music e heavy metal, por exemplo. Mas, tecnicamente, o artista precisa saber cantar "para fora", isso seduz muito melhor quem está ouvindo. Além disso, eu valorizo demais uma boa levada de baixo, é um instrumento que conta muito para mim em uma produção.
Sérgio Martins: Olha, eu tenho um ouvido muito bom para o pop, para saber se a coisa vai rolar ou não vai. Isso fica muito evidente para mim. O Skank, por exemplo, foi uma banda que eu amei assim que escutei pela primeira vez; eles estavam fazendo uma apresentação para umas 8 ou 10 pessoas. Os Raimundos foram outra banda que me apaixonou de cara. Já o Pato Fu, eu achava interessante quando lançaram em 1998, mas não me seduzia logo de início.
Mas quem trabalha com crítica também erra (risos). Um companheiro de trabalho meu assistiu a um pocket show dos Mamonas Assassinas bem no começo e eu disse textualmente que eles não iam para lugar nenhum. E eles foram, estouraram. Comigo não aconteceu de prever aquilo na época, mas o mercado tem muito disso.
Sérgio Martins: O cara precisa confiar no taco dele. Eu jamais chegaria para um músico e falaria "faz isso" ou "faz aquilo". Ele é quem precisa ter o discernimento de entender: qual público ele quer falar? É para a família?
Eu lembro quando conheci a Ana Cañas, em 2007. Ela estava cantando no Bareto, dentro do Hotel Fasano, e eu mandei a real: "Você quer ser artista ou quer fazer sucesso?". Se a escolha é o sucesso, é uma carreira muito mais complicada. Ser "artista" pode ser menos rentável financeiramente, mas vai te dar uma satisfação maior e mais consistente a longo prazo.
Eu, por exemplo, posso não gostar do estilo, mas admiro muito o Dani Black ou o Zeca Baleiro. Eles não tocam todo dia na rádio, mas têm um público consistente. Você não pode fazer um disco hermético e achar que vai vender, ao mesmo tempo em que, se gravar um pop além do limite, nem sempre vai performar bem. A crítica, por exemplo, não gosta de sertanejo, mas os caras estão cagando para a crítica; eles fazem música para o público que os consome. A escolha é do artista, mas ele precisa saber como quer embalar esse produto.
Sérgio Martins: Viralizar é uma ilusão. Hoje existe uma necessidade doida de fazer feat, e isso não leva a nada, na verdade, nunca levou. É uma baita ilusão achar que esse tipo de estratégia vai te carregar para a frente. O que acontece, no final das contas, é que você acaba perdendo o seu público antigo. É tudo bobagem.
Existem artistas que mostram que vivem bem e conquistam um respeito maior justamente porque focam em ter um consumidor mais fiel. A fidelização é muito melhor do que aquele cara que gostou de você momentaneamente. A Fresno e o 5 a Seco fazem isso muito bem, apostando em estratégias como audições especiais para a base deles. O mercado é segmentado: o cara que escuta funk não quer ouvir sertanejo, e vice-versa. Foque no seu nicho.
Sérgio Martins: No mínimo, me dar um "bom dia", porque eu odeio gente mal-educada. O princípio básico de uma abordagem é a educação.
O artista pode chegar e falar: "Será que eu podia mandar um negócio para você?" ou "Posso pegar seu contato para a gente conversar mais tarde?". Eu nunca neguei conversar com ninguém na minha vida, a não ser que eu estivesse em momento crítico de fechamento de edição. Se for o caso, eu vou falar com honestidade: "Estou ocupado agora" ou "Não me interessa". Mas se o cara for educado, a porta está aberta. É o básico.
E para encerrar, compartilho um momento "tiete" que estive com ele no Hacktown de 2025, após assistir uma de suas mediações icônicas no tema musical:
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| Sergio Martins e eu, Fada, no Hacktown 2025 |
Para não perder nenhuma análise e ficar por dentro dos bastidores da música, siga o Sérgio Martins no Instagram e acompanhe suas atuações como repórter especial da Billboard Brasil, colaborador de Brazil Journal, Estadão Cultura e Radio Eldorado, além de professor de jornalismo cultural. Saiba mais: https://linktr.ee/smartinz15







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